Um dos filmes de maior sucesso de 2025 apareceu finalmente em HD nas plataformas piratas de streaming de conteúdo multimédia. Estamos a falar de Demon Slayer: Infinity Castle, que por alegadas falhas internas do estúdio, apareceu na Internet numa versão em alta definição muito antes do tempo.
Afinal de contas, segundo os planos do estúdio, este filme apenas deveria aparecer no mundo do streaming nos meses antes do próximo filme, que deverá ser lançado algures em 2027.
Pois, com este “leak”, já há quem fale em perdas milionárias. Mas, como sempre, as contas não se fazem assim.
Pirataria de Filmes: Outra vez a mesma conversa?

Portanto, fala-se em mais de 500.000 visualizações ilegais e numa “perda” estimada entre os 2 e 7 milhões de euros. Mas, como sempre, esta conta está longe de ser tão simples como parece.
O erro clássico das contas da pirataria!
Como deves imaginar, este tipo de estimativa parte sempre do mesmo pressuposto frágil. Ou seja, que cada visualização pirata equivale a um bilhete perdido.
Mas, como é também óbvio para qualquer pessoa, isso raramente corresponde à realidade. Quem pirateia, na esmagadora maioria dos casos, não ia pagar para ver o filme. Não agora, não depois, não nunca.
Quem vê e revê muito menos. No máximo, iria pagar um bilhete, e não 3 ou 4.
Este filme foi um absurdo sucesso. É tudo menos um caso de pirataria.
Infinity Castle já faturou perto de 800 milhões de euros com um orçamento a rondar os 20 milhões. Isto não é um sucesso normal. É um fenómeno. Por isso, mesmo que aceitássemos o cenário mais pessimista de 7.5 milhões “perdidos”, isso representa uma gota de água face à receita total.
Os fãs foram ao cinema, e pagaram, porque queriam de facto ver o filme. E aqui temos de ter em conta que os bilhetes estão caríssimos. Especialmente se fores daquelas pessoas que gosta de beber alguma coisa e comer pipocas.
Em suma, é difícil falar em desastre quando o retorno ultrapassa largamente os 3.000%.
Pirataria não é igual a prejuízo direto
Este é um ponto que a indústria insiste em misturar. Pirataria é um problema, sim. Mas não funciona como uma subtração direta à receita. Em muitos casos, funciona mais como exposição adicional, conversa online e reforço do estatuto cultural da obra.
É como no mundo da pirataria do futebol. Sim, não estás a pagar para ver. Porém, estás a ver o jogo, e como tal, estás também a ver todos os anúncios. Estás sempre a dar dinheiro à casa, mesmo que não pagues diretamente pelos direitos de transmissão.
O verdadeiro impacto é outro!
Onde a pirataria dói a sério não é tanto no valor bruto, mas no controlo do lançamento, na perceção de exclusividade e na gestão da janela comercial. Um leak em HD quebra estratégias, estraga planos e cria ruído desnecessário.
Mas… É o que é.

