Volkswagen Golf GTE Mk8.5. Está a evoluir e já merece ser GT

Se há pessoa que pode fazer uma análise engraçada ao mais recente Golf GTE da VW, sou eu… Que comprou um Golf GTE 7.5 em 2021 e ainda hoje o usa como carro do dia-a-dia.

Esta é uma oportunidade muito interessante de perceber o que mudou, o que melhorou, e o que também piorou, visto que hoje em dia há escolhas que nem sempre melhoram a experiência do dia-a-dia de conduzir um veículo.

Vamos a isso?

Volkswagen Golf GTE Mk8.5. Está a evoluir e já merece ser GT

O Golf GTE é uma proposta muito interessante por parte da VW, mas isso não significa que não tenha sido sempre um daqueles carros difíceis de catalogar. Isto porque não é bem um GTI, mas também não é bem um carro elétrico. Porém, também não é apenas um híbrido para poupar combustível.

É um carro bipolar, que tanto pode andar louco no asfalto, como pode andar calminho para poupar combustível. Aliás, não tem apenas duas facetas, porque também consegue ser um meio-termo que tenta agradar a vários públicos ao mesmo tempo.

Dito tudo isto, com o facelift Mk8.5, a Volkswagen afinou a fórmula, aumentou a potência e melhorou a parte elétrica. É agora um carro a sério!

O que mudou por fora e o que se perdeu pelo caminho?

O Golf continua a ser imediatamente reconhecível. Alguns acham que isto é um problema, mas eu gosto. Um Golf tem de ser um Golf, e de facto, o design deste GTE grita modernidade controlada. É um carro bonito, confortável, e que acima de tudo passa confiança.

Dito tudo isto, a frente está ligeiramente mais agressiva, os faróis LED estão mais modernos e o logótipo iluminado dá-lhe um toque diferenciado. Funciona! E vai fazer com que o automóvel salte a vista de todos.

A carroçaria é agora apenas de cinco portas, e claro, o porta bagagens paga o preço da eletrificação. São 273 litros, menos cerca de 100 litros do que num Golf normal. Para uso diário chega, mas é um compromisso.

Jantes e pneus. Competentes, mas pouco emocionais

Num carro GT, espera-se um pouco mais de impacto visual. As jantes de 17 polegadas cumprem, mas passam despercebidas, isto porque são focadas na eficiência, em vez da emoção.

Mas isso também se resolve na altura da configuração do modelo. Os pneus são ótimos, e vão oferecer um pouco da emoção que as jantes escondem.

Interior é… O que é.

Sim, aqui há melhorias claras. O novo sistema de infotainment MIB4 é mais rápido, mais intuitivo e finalmente resolve o desastre dos comandos tácteis do clima. Tudo é mais simples de usar, inclusive à noite.

Face ao Golf 7.5 que tenho em casa, é um salto muito significativo, apesar de não ser transformativo. Gostava da existência do Modo GTE, que agora já não existe para dar espaço aos modos normais desportivos. Ter a experiência de carregar num botão, e sentir o carro a mudar de personalidade era giro. Mas não é por aí. A dupla personalidade continua lá, e agora até mais exagerada.

Entretanto, fica a ideia de que o Golf de antigamente era mais bem construído. O uso de plásticos glossy continua a ser um exagero. Além disso, apesar de estar muito superior ao Golf 8 original, continua a existir muito touch para controlar tudo e mais alguma coisa. Por fim, o mais grave para mim, é que o Golf, e neste caso um Golf GT, é igual a qualquer outro VW. Podia existir mais personalização, mais carácter.

Ainda assim, os bancos são confortáveis, bem desenhados e adequados a viagens longas. Com os packs certos, há bancos aquecidos, ventilados, volante aquecido e até head-up display. Aqui nada falha.

Atrás, o espaço chega para dois adultos com conforto razoável. Três já é apertado. Há USB, climatização e bons espaços de arrumação, mas o ambiente é um pouco escuro devido à linha de cintura elevada.

Motor, potência e a promessa de desempenho

Debaixo do capô está a segunda geração do sistema híbrido plug-in da Volkswagen. Um 1.5 TSI aliado a um motor elétrico de 110 cv, para um total de 272 cv e 350 Nm de binário. É… BRUTAL!

Claro que não vai ser um GTI, ou um R, mas é muito bom para aquilo que é. Afinal, estamos a falar de uma motorização que promete tudo e mais alguma coisa, tudo ao mesmo tempo.

Dito tudo sito, vai dos 0 aos 100 km/h em pouco mais de 6 segundos, sendo também um carro muito apontadinho. Para onde virares o volante, ele vai, e vai com muita vontade.

Onde o GTE realmente brilha!

Como dissemos em cima, é quando curva. Aqui nota-se o ADN Golf. A frente é precisa, há muito controlo e confiança, e o chassis lida muito bem com o peso extra da bateria. Com o modo Sport e o controlo de tração desligado, ainda se sente algum caráter, mesmo que nunca chegue a ser verdadeiramente aquele carro 100% desportivo. Mas, não tem de o ser.

Claro que a suspensão adaptativa (opcional), faz toda a diferença. Confortável em autoestrada, firme quando é preciso, e sempre previsível.

Autonomia elétrica e carregamentos

Este é o grande trunfo do GTE. Fazer 100 quilómetros elétricos não é impossível. Algo que para muita gente significa fazer a semana inteira sem gastar uma gota de gasolina. Entretanto, em uso misto, a eficiência é impressionante.

O carregamento também melhorou muito. Em casa, em poucas horas está cheio. Num carregador rápido, chega aos 80% em cerca de meia hora. Para quem ainda não quer saltar para um elétrico puro, é uma solução muito, mas mesmo muito, interessante.

Veredicto 

O Golf GTE Mk8.5 é um carro extremamente competente, confortável e eficiente. Como híbrido plug-in, está entre os melhores do segmento. E claro, como Golf, mantém a qualidade e a maturidade de sempre.

Por fim, como GT pode ser curto, mas já não está tão longe como esteve em tempos. No fim do dia, é provavelmente o Golf mais racional que existe.

Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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