Depois de anos a afastar-se dos processadores Intel para apostar tudo nos seus chips Apple Silicon, a gigante de Cupertino pode estar prestes a “reconciliar-se” com a Intel. Mas calma! Isto não é um regresso aos velhos tempos dos Mac com CPU x86, até porque isso não faria qualquer sentido. A aposta da Apple foi uma de sucesso.
É outra história. Muito mais estratégica. E muito mais conveniente (barato) para a Apple.
Apple + Intel… mas desta vez é a Intel que trabalha para a Apple

Segundo Ming-Chi Kuo, um dos analistas mais fiáveis da cadeia de fornecimento da Apple, a Intel deverá começar a produzir chips M-series de entrada já em meados de 2027, usando o processo Intel 18A, considerado o primeiro nó sub-2 nm disponível na América do Norte.
Mas, a Intel vai apenas e só produzir chips Apple. Não vai desenhá-los.
É importante sublinhar. Não estamos a falar de Macs com processadores Intel. Nem de um regresso ao x86. Os chips continuam a ser Apple M-series, com arquitetura Arm, desenhados pela equipa da Apple.
A Intel limita-se a fabricar. Ou seja, passa a ser uma espécie de “TSMC versão americana”.
Porque é que isto interessa à Apple?
Há três razões óbvias:
- Pressão do governo dos EUA.
A administração Trump tem insistido fortemente na ideia de produtos “Made in USA”. Ter parte dos chips fabricados em território americano é uma jogada política perfeita para a Apple. - Diversificação de fornecedores.
A Apple depende fortemente da TSMC. Se houver problemas em Taiwan, greves, terramotos, conflitos ou atrasos tecnológicos, todo o ecossistema Apple treme.
Meter a Intel na jogada dá redundância ao processo. - O 18A é de facto promissor.
A Intel está a tentar recuperar terreno perdido e o 18A pode ser competitivo com futuros nós da TSMC. Se funcionar, a Apple ganha mais uma fábrica de topo.
Que produtos vão usar estes chips?
Kuo refere que a Intel deverá produzir os chips M6 ou M7 de gama baixa, destinados a produtos como:
- MacBook Air
- iPad Air
- iPad Pro
Claro que os chips mais potentes (Pro, Max e Ultra) continuarão a ser fabricados maioritariamente pela TSMC.
O que isto significa para o futuro?
Em suma, para o consumidor normal, muito pouco.
Entretanto, para a Apple, estamos a observar uma preparação para um mundo onde a independência tecnológica e a produção local são mais importantes do que ter o melhor do melhor. No fundo, a Apple quer ter mais que uma porta aberta, e isso é inteligente. Até porque os preços da Intel podem ser bastante mais vantajosos face aos da TSMC.
