Se jogas em uma ou mais consolas, já sabes o que está a acontecer. Jogos cada vez mais caros, acessórios que custam um autêntico absurdo, e claro, serviços de subscrição que sobem todos os ano. Talvez mais grave que isso, temos ainda uma sensação clara de que tanto a Sony como a Microsoft querem que pagues mais por menos. Isso é inaceitável, especialmente nos tempos que correm.
É exatamente por isso que, é cada vez mais comum vermos jogadores a dizer: “se calhar vou mudar para PC”. Não é por acaso que a Valve anunciou a Steam Machine. É uma forma de facilitar ainda mais esse “salto”.
É que sendo muito sincero, hoje em dia essa mudança faz mais sentido do que nunca. Não só pelos preços, não só pelos jogos mais baratos, não só pela liberdade. O problema é mais profundo. E pouca gente o está a explicar como deve ser.
A verdadeira razão pela qual as consolas estão a perder o sentido
A conversa costuma andar sempre à volta dos preços, e isso tem alguma razão de ser. Mas o motivo que está realmente a matar o mundo das consolas é outro… Elas deixaram de ter hardware feito para elas, e só para elas.
Durante anos, PlayStation, Xbox e até a Nintendo viviam de uma base simples. Tu compravas a consola e depois ficavas preso ao ecossistema do fabricante. O dinheiro era feito na venda de jogos, que por sua vez eram feitos com uma arquitetura muito própria, impossível de replicar no PC.
Ou seja, querias aquele exclusivo? Tinhas de comprar a consola. Os ports eram raríssimos, porque elas complicados de fazer, e por isso caros.
Hoje? Zero disso.
As consolas atuais usam processadores x86, GPUs de mercado e arquiteturas extremamente próximas de um PC gaming. Resultado? A matriz do jogo que corre no kernel da consola pode ser adaptada ao PC sem grande esforço.
Para as produtoras, isto é ouro. Dá para vender mais cópias, em mais plataformas, com menos trabalho.
Mas, quando o exclusivo desaparece, desaparece tudo o resto. Porque a lógica do negócio é simples:
- As fabricantes vendem as consolas abaixo do preço real.
- Em troca, garantem exclusividade na loja digital e nos royalties dos jogos.
- Sem exclusivos… não há fidelização.
- Sem fidelização… não há vantagem em subsidiar hardware.
- E sem subsidiação… tudo fica mais caro para o consumidor.
É o mesmo modelo das impressoras: vendem-te a máquina barata para depois te prenderem nas recargas de tinta que custam mais do que ouro em pó. Se os cartuchos fossem universais e compatíveis com tudo? O negócio morria.
É exatamente isso que está a acontecer aos consoles.
Jogos mais caros nas consolas? Claro que estão.
Se não há hardware proprietário e os jogos já não são exclusivos, as marcas têm de ir buscar dinheiro onde conseguem: nos preços finais dos jogos, nos upgrades de armazenamento, nos acessórios e nos serviços de subscrição.
E é por isso que hoje em dia:
- Um jogo first-party custa 80 ou 90 euros.
- Os upgrades SSD oficiais custam balúrdios.
- Os comandos são cada vez mais caros.
- E até os serviços “obrigatórios” são mais caros ano após ano.
É um ciclo perfeito para amarrar o consumidor. Mas as pessoas começam a cansar-se. Não querem mais escravidão digital.
Então e o PC?
Entretanto, no PC, compras onde queres. Jogas onde queres. Modificas o que queres. Instalas o que queres. E pagas menos por tudo. É liberdade total.
No fim, tudo resume-se a isto… As pessoas preferem liberdade a servidão. E o mercado está finalmente a acordar.







