Todos temos aquele amigo que muda de fornecedor de energia como muda de camisola de clube: EDP num ano, Goldenergy no outro, depois uma qualquer “da moda”. A pergunta é: isto faz sentido ou é só trabalho extra por uns trocos? É que pode não compensar estar sempre a mudar de fornecedor de energia.
Porque é que as contas mudam tanto?
Desde que o mercado foi liberalizado, há dezenas de tarifas diferentes para eletricidade e gás. Preço fixo, indexado ao mercado grossista, bi-horário, pacotes com internet, descontos com cartão… é um festival. Comparações feitas por reguladores e associações de consumidores mostram que, para um consumidor-tipo, a diferença entre a tarifa mais cara e a mais barata pode chegar facilmente a dezenas ou mesmo mais de 100 euros por ano.
Com a instabilidade dos preços de energia nos últimos anos, as tabelas têm sido revistas com frequência. Resultado: a tarifa que era competitiva há dois anos pode ser hoje uma das piores.
O que diz a DECO sobre mudar de fornecedor de energia?
A DECO PROteste é clara: deves mudar de fornecedor de energia sempre que a tua tarifa deixa de ser das mais vantajosas.
Não é mudar por desporto; é mudar quando as contas mostram que ficas a perder.
A associação tem simuladores próprios, tal como o comparador oficial “Poupa Energia” (agora integrado em plataformas de apoio ao consumidor), que permitem comparar rapidamente o que pagarias em cada comercializador, com base no teu consumo anual.
Então vale a pena mudar todos os anos?
Depende.
Compensa ver as ofertas pelo menos uma vez por ano. Se a diferença entre ficar onde estás e mudar for de 50, 80 ou 100 euros por ano, para muitos agregados faz sentido trocar.
Nem sempre é preciso “saltitar” anualmente. Se tens uma tarifa recente, competitiva e sem aumentos anunciados, podes manter mas convém ficar atento às comunicações da empresa.
Cuidado com fidelizações e extras. Alguns contratos têm períodos de permanência ou “ofertas” (tarifa com internet, seguros, etc.) que podem complicar a saída. Lê bem as condições antes de assinar.
Como fazer isto sem ficar maluco
Junta as tuas faturas de um ano (consumo em kWh e potência contratada).
Mete esses dados num simulador credível (DECO ou plataforma oficial).
Compara o que pagas agora com as 2–3 melhores ofertas.
Entretanto se a poupança for pequena (10–20 €/ano), talvez não valha o trabalho. Se for grande, a troca começa a fazer sentido.
Conclusão: não precisas de mudar de fornecedor todos os anos, mas também não deves ficar eternamente no mesmo só por preguiça. No meio da confusão das tarifas, quem faz contas ganha vantagem.


