A Renault é uma marca que todos nós conhecemos, mas, é também uma fabricante que tem tido uma estratégia estranha no mundo dos elétricos. Aliás, “estranha” pode não ser a palavra mais correta.
O que aconteceu é bastante mais complexo, porque com a chegada de Luca de Meo, existiu uma tremenda mudança de estratégia, que por sua vez resultou num produto bastante mais apelativo para o consumidor final, e em alguns casos, com muita alma.
- Nota: Luca de Meo já não é o CEO da Renault, deixando o cargo para François Provost, ficando a dúvida se a estratégia é para continuar nos mesmos moldes ou não.
Basta olhar para o Mégane e Scenic elétricos, que são bons carros, mas tiveram um resultado no geral aquém da expetativa, na minha opinião porque ainda se confundem muito com carros a combustão, e depois olhar para os Renault 4 e 5, especialmente o caso do 5, que já são automóveis de sucesso e altamente elogiados tanto pelos condutores como também pela crítica especializada.
Isto para dizer o quê?
A Renault optou por uma estratégia muito mais assente na alma, nos ícones do passado, e no caso do Twingo, temos uma quase repetição daquilo que deu vida ao R5.
Apenas não é exatamente igual, porque o Twingo tem um modelo lançado em 2014 que até há bem pouco tempo ainda era comercializado.
Mas, a base está lá, porque quando se pensa num Twingo a sério, o que vem à cabeça é o modelo de 1993, e não o de 2014.
O novo Renault Twingo E-Tech!
O novo Renault Twingo E-Tech foi finalmente revelado, e apesar de ainda faltar algum tempo até chegar às estradas, visto que o lançamento está previsto para início de 2026, o público já tem muito a dizer.
Antes de mais nada, o pequeno elétrico da Renault promete ser um dos carros mais acessíveis do segmento, com um preço de aquisição abaixo dos 20 mil euros (antes de incentivos), e está a despertar reações fortes, tanto de entusiasmo como de ceticismo.
- Nota: Ficou até a ideia de que podemos ter uma versão do Twingo à volta dos 18 mil euros!
Um design que conquistou à primeira vista?
Há sempre espaço para opiniões pessoais, mas, nas redes sociais, a maioria dos comentários é clara… O novo Twingo está bonito e não está a fugir ao que lhe deu fama.
Ou seja, muitos internautas destacam o design equilibrado, as proporções certas e a forma como a Renault conseguiu manter o espírito original do modelo. Estamos a falar daquele ar simpático, compacto e funcional, porém agora com linhas modernas, e claro, com um toque claramente mais digital e modernizado.
A cor de marketing é o verde, mas há quem diga que o amarelo é “a cor certa para um Twingo”.
Dito isto, independentemente da cor, a estética parece ter acertado em cheio.
Um elétrico “à antiga”? É Simples e acessível!
A bateria não é enorme, até porque isso nunca faria sentido num carro deste segmento.
Ou seja, temos uma bateria de 27.5 kWh, autonomia até 263 km WLTP e um peso a rondar os 1200 kg. Isto significa que o novo Twingo E-Tech é assumidamente um carro urbano.
Foi feito a pensar para a cidade, e não para andar a “comer” quilómetros em autoestrada.
Algo curioso, porque esta forma de pensar costuma deixar os condutores de pé atrás, mas aqui não é esse o caso.
Vale a pena salientar que a Renault apostou em células LFP (lítio-ferrofosfato), conhecidas por durarem mais e serem mais baratas, embora com menor densidade energética.
No lado carregamento temos AC de 11 kW e DC de 50 kW (opcional). Nada impressionante, mas suficiente para o dia a dia.
Nem todos estão convencidos
Claro que há quem veja o copo meio vazio.
Alguns apontam que, por 20 mil euros, há usados elétricos mais capazes, com baterias maiores e melhor conforto. Outros mais ligados ao mundo a combustão, afirmam que por 20 mil euros ainda se encontram várias “bombas” a gasolina ou gasóleo.
Claro que também há outros a criticar detalhes como as janelas traseiras de abrir “à antiga” ou o facto de o carro não ter versão de três portas, algo que muitos consideram essencial para um citadino com carisma.
Há também quem lamente a ausência de arrefecimento líquido na bateria, algo que pode limitar a performance e a longevidade em climas mais quentes.
A nostalgia é chave!
Entre todas as opiniões, uma constante sobressai: a nostalgia.
Muitos condutores lembram com carinho o primeiro Twingo, elogiando a sua manobrabilidade e espaço interior surpreendente.
Há quem lhe chame “o duplo”, quem recorde as viagens em família e quem diga, sem rodeios, que “a Renault está a acertar outra vez! R5, R4 e agora Twingo, todos com o ADN certo”.
O veredito
No geral, as primeiras impressões parecem positivas.
Nós já estivemos dentro do carro, e de facto, não é de todo um exemplo de carro Premium, mas também não é esse o objetivo. A ideia é ser um carro barato e interessante para o dia-a-dia.
Ou seja, um carro prático, simpático e com personalidade.
No fim de contas, o novo Renault Twingo E-Tech é exatamente isso: um elétrico que não promete ser tudo, mas promete ser o suficiente. Dito isto, num mercado cada vez mais caro, essa simplicidade pode ser a sua maior força.














