O fenómeno das pernas inquietas: quando te deves preocupar?

Estás sentado no sofá a ver televisão ou deitado na cama a tentar adormecer e, de repente, sentes uma necessidade irresistível de mexer as pernas. Este impulso pode ser acompanhado de formigueiro, desconforto ou até dor ligeira. Se isto te soa familiar, podes estar a lidar com a chamada Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), um distúrbio neurológico que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de muitas vezes ser visto como uma “mania” ou apenas nervosismo, a ciência mostra que esta condição é real, tem causas específicas e pode afetar seriamente a qualidade de vida.

O que é a Síndrome das Pernas Inquietas?

A SPI é caracterizada por uma necessidade incontrolável de mover as pernas, geralmente acompanhada por sensações estranhas como: formigueiro, comichão interna, sensação de choque elétrico, ou um desconforto difícil de descrever.

Estes sintomas tendem a piorar quando a pessoa está em repouso, especialmente à noite, e melhoram temporariamente com o movimento.

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Quem pode ser afetado?

A SPI pode atingir qualquer pessoa, mas é mais comum em: adultos acima dos 40 anos, mulheres (especialmente durante a gravidez) e pessoas com antecedentes familiares do distúrbio.

Estima-se que 5 a 10% da população mundial sofra de sintomas, embora muitos nunca sejam diagnosticados.

Possíveis causas

Ainda não existe uma causa única identificada, mas várias hipóteses científicas apontam para fatores combinados:

Défice de dopamina no cérebro, neurotransmissor responsável pelo controlo do movimento.

Baixos níveis de ferro no sistema nervoso central.

Condições médicas associadas, como insuficiência renal, diabetes ou neuropatias periféricas.

Fatores genéticos, já que a síndrome muitas vezes aparece em várias gerações da mesma família.

Impacto no sono

Um dos maiores problemas da SPI é a forma como prejudica o sono. Quem sofre deste distúrbio tem dificuldade em adormecer ou em manter o sono profundo, já que a necessidade de mexer as pernas provoca despertares frequentes.

A longo prazo, isso pode levar a: fadiga diurna, irritabilidade, dificuldades de concentração e maior risco de depressão e ansiedade.

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Quando deves procurar ajuda médica

Nem todo o desconforto nas pernas é SPI. Muitas vezes pode ser apenas resultado de má circulação ou de estar demasiado tempo sentado. No entanto, é importante procurar um médico se os sintomas acontecem pelo menos 2 vezes por semana, pioram ao fim do dia ou à noite, interferem com o sono e a qualidade de vida ou surgem acompanhados de dor ou movimentos involuntários frequentes.

Como aliviar os sintomas

Embora não exista cura definitiva, há várias formas de reduzir o desconforto:

  • Mudanças de estilo de vida: exercício físico regular, evitar cafeína e álcool.
  • Alongamentos antes de dormir: ajudam a relaxar os músculos.
  • Massagens e calor local: podem aliviar temporariamente a sensação desagradável.
  • Boa higiene do sono: deitar e acordar sempre à mesma hora.

Em casos mais graves, o médico pode prescrever medicação específica para regular os níveis de dopamina ou ferro.

Curiosidade: pernas inquietas e viagens longas

A SPI tende a agravar-se em situações em que a pessoa precisa de ficar sentada durante muito tempo, como em voos ou viagens de carro. Não é por acaso que muitos passageiros sentem necessidade de se levantar frequentemente para andar — uma forma natural de aliviar os sintomas.

Mexer as pernas de vez em quando não é motivo de alarme. Mas quando o impulso é constante, recorrente e interfere com o sono, pode tratar-se de Síndrome das Pernas Inquietas. Este distúrbio é mais comum do que se pensa e merece atenção médica, especialmente porque afeta o descanso e a saúde mental.

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Bruno Fonseca
Bruno Fonseca
Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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