O mistério do “formigueiro” nas pernas: o que te está a acontecer?

Estás no sofá a ver televisão ou numa reunião interminável no trabalho e, de repente, sentes aquele desconforto: a perna fica dormente, aparecem “picadelas” como se fossem pequenas agulhas e até tens dificuldade em mexer o pé. Chamamos a isto formigueiro e embora seja uma sensação comum, poucas pessoas sabem ao certo o que está a acontecer no corpo.

O que é o “formigueiro” nas pernas afinal?

O termo médico para esta sensação é parestesia transitória. Ocorre quando um nervo fica comprimido ou quando o fluxo sanguíneo numa determinada zona é temporariamente interrompido.

Ao cruzar as pernas durante muito tempo, pressionas nervos periféricos.

O sangue circula com mais dificuldade.

O cérebro deixa de receber sinais claros da região afetada.

Essa falha de comunicação faz com que a mente interprete estímulos falsos: dormência, formigueiro ou até descargas elétricas.

O cérebro a “inventar” sensações

Um detalhe curioso: o formigueiro não está apenas na perna. Ele acontece também no cérebro. Quando a comunicação com os nervos falha, o cérebro preenche esse vazio com sensações “inventadas”.

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É o mesmo mecanismo que explica as dores fantasmas em pessoas amputadas. A mente cria perceções mesmo quando não há estímulo físico.

O papel do estilo de vida moderno

No passado, passávamos grande parte do dia em movimento. Hoje, o cenário é diferente:

  • ficamos horas sentados no escritório,
  • passamos longos períodos no carro ou em transportes públicos,
  • e em casa preferimos o sofá à atividade física.

O corpo humano não foi feito para tamanha inatividade. O formigueiro, nesse contexto, é quase um alerta natural: o teu corpo está a dizer “basta, mexe-te!”.

Quando é normal e quando pode ser preocupante

Em regra, sentir formigueiro depois de estar sentado ou deitado numa posição é perfeitamente normal. Basta levantar-se, mudar de posição ou alongar e, em poucos minutos, tudo volta ao normal.

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Mas há situações em que este sintoma não deve ser ignorado:

  • quando acontece várias vezes por dia, sem motivo aparente;
  • quando dura muito tempo, mesmo após mudar de posição;
  • quando vem acompanhado de dor, perda de força ou dificuldade em andar.

Nestes casos, pode indicar problemas como:

  • neuropatia periférica (danos nos nervos, comum em diabéticos),
  • má circulação sanguínea crónica,
  • compressão nervosa persistente (por exemplo, devido a hérnia discal).

Mitos comuns sobre o formigueiro

“É sinal de falta de vitaminas”. Nem sempre. Embora deficiências de vitamina B12 possam causar dormência, o formigueiro ocasional está mais ligado à postura.

“Quanto mais forte, pior a saúde”. A intensidade não é um indicador fiável. Um simples cruzar de pernas pode causar formigueiro intenso e ainda assim não ser grave.

“Se acontece a toda a gente, não pode ser perigoso”. Verdade que é comum, mas se for persistente pode ser o primeiro sinal de doenças neurológicas ou vasculares.

Como evitar e aliviar o formigueiro

Levanta-te a cada 45–60 minutos: ativa a circulação.

Evita cruzar as pernas por períodos longos.

Alongamentos simples no escritório: rotações de tornozelo, pequenos agachamentos.

Pratica atividade física regular: melhora circulação e fortalece músculos.

Mantém-te hidratado: sangue mais fluido circula melhor.

Atenção à ergonomia: cadeiras ajustadas, pés bem apoiados e postura correta.

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Curiosidade: porque dizemos “a perna adormeceu”?

Entretanto a expressão vem exatamente da sensação de perda de sensibilidade. Assim tal como quando dormimos profundamente e o corpo parece “desligado”, a perna dormente transmite a ideia de que “desligou temporariamente”. É um exemplo de como linguagem popular e ciência se cruzam no dia a dia.

O formigueiro nas pernas é, na maioria das vezes, apenas um efeito temporário da postura ou da pressão sobre os nervos. Mas é também um lembrete poderoso de que o corpo precisa de movimento.

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Bruno Fonseca
Bruno Fonseca
Fundador da Leak, estreou-se no online em 1999 quando criou a CDRW.co.pt. Deu os primeiros passos no mundo da tecnologia com o Spectrum 48K e nunca mais largou os computadores. É viciado em telemóveis, tablets e gadgets.

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