Ao longo do século XX, o aumento da popularidade dos automóveis trouxe consigo uma realidade preocupante: o crescimento do número de acidentes mortais nas estradas. Para combater este cenário, surgiram medidas básicas como os limites de velocidade e os semáforos. No entanto, os maiores avanços na segurança rodoviária vieram de dois dispositivos cruciais: o cinto de segurança e o airbag. Mas como é que o airbag sabe que tem de disparar?
Como é que o Airbag sabe que tem de disparar?
Hoje em dia, os automóveis modernos estão equipados com sistemas que vão muito além da prevenção passiva. Assim temos assistência à condução, alertas de ângulo morto e controlos electrónicos de estabilidade. Ainda assim, quando tudo falha, os cintos e os airbags continuam a ser o último recurso vital para proteger os ocupantes em caso de colisão.
É quase inacreditável, mas um airbag pode encher-se por completo em apenas milésimos de segundo quando deteta um impacto potencial. Entretanto normalmente disparam geralmente em colisões moderadas a severas. Ou seja, o equivalente a embater contra uma parede a cerca de 13 a 22 km/h, ou contra outro carro parado a 25 a 45 km/h.
Esta rapidez é crucial porque os airbags são dispositivos de uso único e só devem ser ativados em situações realmente graves, uma vez que a sua substituição é dispendiosa.
Mas como sabem exatamente quando entrar em ação?
Quando ocorre um impacto, os sensores do veículo avaliam de imediato a intensidade da colisão. Se os parâmetros forem superados, o sistema ativa uma reação química que gera gás suficiente para inflar o airbag. Este gás, ao sair lentamente, ajuda a absorver o impacto do corpo humano em movimento. Os cintos de segurança, por sua vez, trabalham em conjunto com os airbags para distribuir melhor essa força.
Nos primórdios, na década de 1950, os primeiros airbags usavam sensores de mola e ar comprimido. O problema? Eram lentos e imprecisos. A grande viragem deu-se com o engenheiro Allen K. Breed, que desenvolveu um sensor com esferas metálicas e um composto químico chamado azida de sódio, que gerava rapidamente gás para inflar o airbag.
Contudo, este sistema não era perfeito – em alguns casos, podia disparar sem necessidade, como ao passar por buracos ou lombas na estrada.
Airbags modernos: mais inteligentes e seguros
Felizmente, a tecnologia evoluiu. Os veículos actuais utilizam sensores baseados em MEMS (sistemas microeletromecânicos), muito mais eficazes a distinguir acidentes reais de situações inofensivas. Além disso, compostos mais seguros como o nitrato de guanidina substituíram a azida de sódio.
Os airbags modernos são hoje uma combinação de engenharia de precisão, química avançada e sensores inteligentes. E tudo isto acontece numa fração de segundo – o suficiente para fazer a diferença entre a vida e a morte.








