Com 6000 anos, mais antigo telescópio da humanidade é em Portugal


Por em

Mais especificamente nas antas de entrada estreita, como as encontradas em Carregal do Sal, afirma o professor Fábio Silva, que dirige um grupo de investigadores da Universidade de Gales Trinity Sant David.

Portugal possui algumas das mais antigas antas da Europa, especificamente as antas de sete pedras, uma construção particular em que a entrada na anta é feita através de um estreito corredor de pedras sobrepostas.

É nesse corredor que reside o brilhante do pensamento astronómico dos nossos antepassados. O professor Fábio Silva defende que este corredor longo e a disposição das pedras ajudam a filtrar a luz exterior e dariam aos ocupantes do dólmen uma visão muito mais clara do céu e de estrelas específicas.

Analisando um grupo deste tipo de monumentos um pouco por toda a Europa, os arqueólogos astronómicos acreditam que as antas estavam alinhadas com Aldebarã, a estrela mais brilhante da constelação Touro. Por mais brilhante que seja, Aldebarã só é vista a olho nu a partir do início de Abril, pois antes disso é demasiado ténue.

Mas, através do túnel escuro das antas, os olhos habituam-se à escuridão e conseguem ver a estrela dias antes. Isto significa possuir um sinal precioso para sinalizar o início de uma estação, portanto programar as sementeiras e o cuidado dos rebanhos.

Já em 2013 Fábio Silva percebera que todos os dólmen entre Douro e Mondego estariam alinhados com a Serra da Estrela, montanha de grande significado pré-histórico, sobre a qual Aldebarã nascia todos os anos.

A equipa de astrónomos pretende agora ir mais longe e estudar como este tipo de construções afecta a visão humana, efectivamente criando um telescópio neolítico, milénios antes de Galileu, através do qual os antigos homens já conseguiam manipular as condições de observação astronómica.

A tese de investigação será apresentada na edição de 2016 dos National Astronomy Meetings.

Leia também

Ou veja mais notícias de outros

Acompanhe ao minuto as últimas noticias de tecnologia. Siga-nos no Facebook, Twitter, Instagram! Quer falar connosco? Envie um email para geral@leak.pt.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.