Pois bem, uma das confusões mais comuns de sempre, e que continua a enganar muito boa gente na hora de puxar do cartão multibanco, é achar que taxa de atualização (Hz) e frames por segundo (FPS) são rigorosamente a mesma coisa. Não são!
Por exemplo, ter um ecrã de 120Hz não significa, de todo, que estejas a jogar a 120 FPS. Ou seja, enquanto um valor mede o que o teu painel consegue desenhar no vidro a cada segundo, o outro dita aquilo que a tua placa gráfica ou consola tem força bruta real para cuspir.
Podes ter um monitor de 120Hz ou 60Hz, mas a consola ou PC não conseguir entregar nem metade.
A diferença entre a janela e o motor: Hz vs FPS

Para simplificar o que muitos complicam, a taxa de atualização medida em Hertz (Hz) é apenas a frequência com que o ecrã atualiza a imagem por segundo. Se o painel for de 120Hz, tem capacidade para mostrar até 120 atualizações a cada segundo. Isto pode significar que podes de facto ter os 120 FPS. Mas, isso não é garantido.
Isto porque, os FPS (Frames Per Second) medem o rendimento da tua máquina. Ou seja, é o número de imagens completas que o processador e a placa gráfica conseguem renderizar nesse mesmo segundo.
No fundo, é como meter um motor de um Fiat Punto (GPU e CPU) no corpo de um Ferrari (Monitor). O motor não dá vazão ao estilo.
De facto, no mundo das séries e filmes, a taxa de fotogramas é fixa (geralmente nos 24 FPS ou 30/60 FPS na transmissão de sinal). Por isso, se ligares esse conteúdo a um televisor de 120Hz, o painel vai simplesmente duplicar fotogramas ou tentar inventar imagens pelo meio com algoritmos de interpolação, criando aquele terrível “efeito novela” que destrói a estética cinematográfica de qualquer produção.
O drama nos jogos: Podes ter problemas!

Ao contrário do cinema, o rendimento de um jogo oscila a cada fração de segundo dependendo da complexidade do cenário, dos efeitos de luz ou das explosões no ecrã. Isto também vai depender do hardware que dá vida à tua máquina.
Ou seja, se a tua placa gráfica estiver a debitar 90 FPS mas o monitor estiver cravado nos 60Hz. Os dois componentes entram em guerra aberta: o monitor tenta desenhar pedaços de dois fotogramas diferentes ao mesmo tempo e surge o clássico efeito de corte na imagem (o famoso screen tearing).
De facto, foi precisamente para resolver esta dessincronização que a indústria criou tecnologias de taxa de atualização variável (VRR), como o AMD FreeSync e o NVIDIA G-Sync, obrigando o monitor a ajustar a sua velocidade em tempo real ao que a gráfica está a conseguir entregar.
Conclusão
De nada te serve comprar uma Smart TV de 120Hz ou 144Hz para ligar à consola. Claro está, se os jogos estiverem bloqueados a 30 ou 60 FPS pelas produtoras. Portanto, antes de gastares centenas de euros num painel de alta velocidade a pensar que tudo vai ficar automaticamente mais fluido… Tem a perfeita noção de que o monitor é apenas um espelho do que o teu hardware tem capacidade para gerar.







