Hoje em dia, é muito difícil apresentar melhorias significativas de performance com otimizações ou ideias geniais. Ou seja, anda tudo à boleia daquilo que a TSMC anda a fazer, e por sua vez, a TSMC faz o possível para andar com a tecnologia para a frente. É uma pescadinha de rabo na boca, a indústria quer performance, e a TSMC quer dinheiro… Por isso, a performance aparece a preços absurdos, que no fim do dia, alguém tem de pagar.
Dito tudo isto, quem anda atento à guerra dos semicondutores sabe que a física tem sido uma dor de cabeça monumental para as fabricantes. Reduzir o tamanho dos transístores a este nível parecia estar a bater numa parede intransponível, e o calendário tradicional apontava para que a fasquia dos 1.4 nanómetros só visse a luz do dia lá para 2028. Pois bem, parece que a TSMC decidiu rasgar o guião e mostrar ao mundo quem é que manda no fabrico de processadores. As fábricas de Taichung estão adiantadas e a produção arranca já em abril de 2027, um ano antes do previsto.
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2nm é incrível e caro que dói? Calma, que vem aí o 1.4nm!

Isto não é brincadeira nenhuma. Estamos a falar de um investimento colossal de quase 50 mil milhões de dólares que visa apenas uma coisa: manter a gigante de Taiwan no topo indiscutível da cadeia alimentar. Garantindo que clientes como a Apple, a NVIDIA e a AMD não tenham sequer espaço para pensar em alternativas da Intel ou da Samsung.
Fábricas a nascer a uma velocidade louca?
De acordo com os relatórios da imprensa de Taiwan, a construção do complexo começou no final do ano passado e as coisas estão a andar a um ritmo impressionante. O primeiro edifício fabril já tem a estrutura de aço montada e as paredes quase prontas, com conclusão prevista para os primeiros meses de 2027. O segundo bloco já tem as fundações de betão no sítio e deverá ficar pronto em outubro do mesmo ano.
Na prática, o plano traçado é agressivo:
- Produção de teste em abril de 2027: A primeira linha começa a afinar o processo 14A (1.4nm) para garantir que as taxas de rendimento (yields) são viáveis.
- Produção em massa no segundo semestre de 2027: As duas primeiras unidades entram em velocidade de cruzeiro já em outubro, permitindo abastecer os primeiros produtos de topo.
- Expansão até 2028: Mais duas unidades fabris (P3 e P4) entram ao serviço no ano seguinte com seis meses de intervalo entre si, consolidando a capacidade de entrega da marca.
A concorrência que corra atrás!
Este avanço de um ano completo é um soco no estômago da Intel, que andava a vender a promessa do seu processo 14A como a grande cartada para recuperar a liderança nos semicondutores. Com a TSMC a adiantar os 1.4nm para o final de 2027, a folga que os rivais esperavam ter evapora-se por completo.
Quem esfrega as mãos de contente é, como sempre, a Apple. A marca de Cupertino é historicamente quem financia e reserva a totalidade das primeiras linhas de produção de ponta da TSMC. Se o calendário se confirmar, significa que a geração do processador A21 ou dos futuros chips M7 para os computadores Mac vai estrear o novo patamar muito antes de qualquer rival no mundo Android ou PC conseguir meter as mãos nesta litografia.
O mercado de processadores continua a ser uma corrida de fundo onde quem piscar o olho fica para trás. A TSMC não quis dar hipóteses e mostrou que a sua máquina de guerra em Taiwan continua oleada ao milímetro.








