É fácil cair na armadilha de pensar que o metal é só barulho – e às vezes até é, e então? Várias décadas depois dos primeiros acordes ásperos, licks estridentes ou ritmos galopantes, este género ramificou-se ao ponto de conseguir despistar até os seus mais fiéis súbditos. Existe música para praticamente todo o tipo de ouvinte, do esfomeado por escuridão até ao mais galhofeiro. Desde que seja bom, há sempre espaço para mais uma banda, um álbum ou uma maquete. Vale (quase) tudo.

Muitos daqueles que designamos habitualmente por “clássicos”, de uma maneira geral, vamos todos conhecendo. Black Sabbath, Judas Priest, Motörhead, Iron Maiden, Metallica ou Slayer. Nos seus respetivos auges de carreira, todas bandas simultaneamente essenciais e inspiradoras.
Para este artigo (de opinião!) também vão interessar álbuns essenciais e inspiradores; música tão ou mais importante que aquela engendrada pelas principais referências do género – 10 discos de metal imperdíveis além dos clássicos. Porque várias décadas depois, existe muito para descobrir.

Impus três regras: uma ordem cronológica de lançamento do mais antigo para o mais recente, apenas álbuns e variedade de estilos. De resto, volume no máximo…

O   H E A V Y    M E T A L    É     N O S S O !

1. BUFFALO “Volcanic Rock” 1973

À imagem vermelho latejante madura ainda suficiente para ferir a vista em 2018 aliou-se um som com energia para escalar montanhas. A disciplina blues ou características prog são complementadas por um peso que desafia as bandas mais duras do seu tempo. Temas rápidos e lentos? Sim. Aborrecidos? Nem um.

2. NOKEMONO “From the Black World” 1979

Melodias contagiantes (mesmo!) e aquele equilíbrio de intensidade e musicalidade HEAVY METAL tão cobiçado e tão difícil de alcançar. Parece fácil! A mistura joga a favor das canções, com cada instrumento a brilhar à sua maneira. Gongos e cowbell à solta despertam a vontade de abanar a anca. E quando assim é, o melhor é mesmo abanar.

3. BROCAS HELM “Into Battle” 1984

Bizarria harmónica e dissonâncias, com soluções originais, e uma atmosfera medieval honestamente sem par não extraem deste disco o seu principal mérito: é inacreditavelmente metal! O espírito “faz tu mesmo”, um traço tão essencial para se fazer música autêntica, escorre pelos altifalantes. Colhe essa substância e besunta-a pelo corpo. Se nalguma ocasião achares que é esquisito, não te preocupes: o problema é mesmo teu.

4. HALLOWS EVE “Tales of Terror” 1985

Talhada de culto METAL com o aquele maravilhoso som orgânico que brevemente começaria a ser deixado para dar lugar a produções cirúrgicas e execuções “inteligentes” sem coração. 1985 é o meu ano favorito em metal e este disco, juntamente com o seguinte, é um dos melhores exemplos da sua fibra. Vocalista que vai a todas, riffs castigadores e ritmos musculosos – pimba! Uma sova de som.

5. CELTIC FROST “To Mega Therion” 1985

Obra-prima que apenas uma calamidade conseguirá eliminar da memória coletiva dos que sabem do que falam e, sabendo, prestam tributo em altar digno desse nome. Majestoso e angustiante. Metal, punk e vanguardista – e um dos melhores álbuns de todos os tempos. Para quem conhece é um clássico, portanto escolher este foi um bocadinho batota. Já agora, lê-se “Keltic Frost”.

6. PAUL CHAIN VIOLET THEATRE “In the Darkness” 1986

Paul Chain é *o* mestre da ambiência e arrepio doom. Entre a teatralidade acham-se canções que obedecem à beleza sombria das melhores bandas dos anos 70. Psicadelismo só não chega e resulta muitas vezes em música aborrecida. Felizmente, Paul Chain consegue a proeza de invocar o oculto e ao mesmo tempo criar arranjos deliciosamente elegantes e rock. Toca a “Mortuary Hearse”!

7. SARCÓFAGO “I.N.R.I.” 1987

Deus existiu e depois veio o “I.N.R.I.” dos Sarcófago. Em 1987 era o álbum de metal mais cruel e ímpio de sempre. Em 2018 continua a ser um forte concorrente ao privilégio dessa especial distinção. As grandes diferenças estão nas pequenas coisas e apesar de continuar a ser uma das principais influências das melhores bandas de death e black metal da atualidade, temos todos ainda muito para aprender com este disco.

8. MASTER’S HAMMER “Ritual” 1991

A República Checa é um paraíso de black metal de velha guarda e este é provavelmente o melhor disco do género a sair daquele país. Muita coisa aqui chama a atenção: a voz ameaçadora que esganiça checo, os efeitos que imprimem estranheza ao conjunto, as guitarras que zumbem e cortam e, no geral, a atmosfera exótica e tirana. No final de contas, é simplesmente bonito.

9. RIPPIKOOULU “Musta Seremonia” 1993

Da República Checa para a Finlândia. Uma demo que devia ter sido um álbum. De todos os subgéneros do metal, o death metal foi o que mais acusou a bancarrota criativa na passagem dos 80s para os 90s. O “Musta Seremonia” surge em 93 já um pouco deslocado daquele que era o padrão maravilha do death metal. Imperiais em todas as velocidades, os Rippikoulu deixam o som de encher o ouvido à mercê dum clima opressivo praticamente sem rival.

10. SALUTE “The Underground” 2009

Admiráveis são as bandas que, estudando o passado que interessa, conseguem resultados sobre os quais os miúdos daqui a uns anos falarão enquanto importantes referências do seu som. Este álbum é I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL! Black ‘n’ roll tão seboso quanto sinistro e com distorção tóxica o suficiente para fazer derreter uma viga de ferro. Todas as faixas são um 10, mas a “Dr. Faust” é a minha tira-teimas favorita.

Ligações de interesse:

Programa de rádio Satan Made Me Do It

Página oficial no Facebook HOOFMARK

Demo de estreia de HOOFMARK, “Stoic Winds”, está agora disponível em CD através da Ultraje.

Acompanhe ao minuto as últimas noticias de tecnologia. Siga-nos no Facebook, Twitter, Instagram! Quer falar connosco? Envie um email para geral@leak.pt.