Por carinho a Carrie Fisher: ou como as tecnologias da Princesa Leia estão connosco hoje

923
0
Share:

Carrie Fisher está hoje numa galáxia distante, mais uma vítima de um ano sacramental em falecimentos de famosos. Mas a Princesa Leia viverá para sempre como um dos grandes ícones de uma das mais amadas epopeias cinematográficas de sempre. E como toda a boa ficção científica, também a saga Star Wars teve o seu quê de visionário, algumas das tecnologias aí preconizadas ficando irrevogavelmente associadas à Princesa Leia.

Nenhuma será tão icónica quanto o holograma encontrado por Luke Skywalker em R2-D2, onde Leia pede ajuda a Obi-Wan Kenobi.

leia-holograma

A holografia remonta aos anos 40, mas o holograma da Princesa Leia a pedir ajuda é um tipo particular de holograma: é um holograma volumétrico, ou seja uma representação tridimensional de um objecto. A possibilidade já existe há um século, mas só agora começamos a ver os primeiros e promissores passos.

No início de 2016, um grupo de investigadores da Queen’s University revelou o HoloFlex, um telemóvel flexível que permite projectar hologramas muito básicos.

Mas a omnipresença da Princesa Leia como metáfora nos hologramas levou mesmo a HP a apoiar o projecto LEIA, que deu origem à LEIA Inc., uma start-up no campo da criação de hologramas estereoscópicos.

leia-display

E depois temos, obviamente, o próprio R2-D2. Robôs autónomos não são totalmente novos, e desde o início do cinema que se tornaram uma marca do sci-fi. Poucos serão tão icónicos quanto R2D2 e o seu periclitante companheiro C-3PO. Afinal, ambos fogem da corveta Tantive IV quando esta é capturada pelo destroyer imperial Devastator e Darth Vader, levando o agora imortal holograma consigo.

r2d2

Quando dizemos que R2-D2 é quase uma realidade, não nos referimos ao frigorífico R2-D2 que pode ser telecomandado para nos trazer a bebida. Não: o robô de Star Wars era autónomo, e para isso são necessárias inteligência artificial e aprendizagem automática.

Os algoritmos de machine learning são hoje comuns, e ajudam smartphones como o Huawei Mate 9 a melhorar o seu desempenho à medida que os utilizamos, ou ajudam-nos a decifrar linguagens animais.

Uma marca, tanto de artoo, quanto de see-threepio, era sem dúvida a capacidade para aprenderem. Mais do que programados, ambos exibiram ao longo da saga tomadas de decisão que não eram alheias a um certo medo das consequências. Ainda não chega a tanto, mas no MIT já há robôs que aprendem novos gestos sem ajuda humana, e a NASA espera mandar o Valkyrie para o espaço no futuro próximo.

PHOTO DATE: 12-12-13 LOCATION: Bldg. 32B - Valkyrie Lab SUBJECT: High quality, production photos of Valkyrie Robot for PAO PHOTOGRAPHERS: BILL STAFFORD, JAMES BLAIR, REGAN GEESEMAN

Há mesmo algo de R2-D2 em Zowi, da BQ, um pequeno robô que pode ser programado por crianças para executar movimentos e expressões.

Por isso, não estamos assim tão longe de robôs capazes de rivalizar em função e capacidade com os companheiros de Leia, pois não?

Da Princesa Leia passamos para o seu irmão, Luke Skywalker, o aspirante a Jedi que por então ainda mal dominava o Sabre de luz de seu pai, e que Obi-Wan lhe entregara.

Um sabre de luz não é realmente algo viável, certo?

Bom, existem bastantes réplicas LED ou com cristais que simulam pelo menos o look das armas sagradas da Ordem Jedi, mas nada realmente projecta a energia ou o campo de força de um sabre de luz “verdadeiro”.

Mas e a TEC Torch?

Ao contrário dos maçaricos tradicionais, o TEC é uma espécie de espada química a jacto. Uma formulação química no seu interior inflama-se e dispara um jacto de partículas e metal vaporizado a uma estonteante temperatura superior a 2000°C, abrindo aço e metal no geral como se fosse uma lata de sardinhas.

tech-torch

A sua semelhança com um sabre de luz acaba aqui, e esteticamente é uma questão de forma que segue a função.

Se esperamos um sabre de luz realmente idêntico ao da Guerra das Estrelas, a física é a nossa pior inimiga. tal arma está actualmente muito além das nossas capacidades, mas o sonho é enorme e se for tecnologicamente possível, alguém tratará de o inventar.

E lembram-se da pequena esfera flutuante que ajudou Luke a treinar os primeiros golpes a bordo da Millennium Falcon? A NASA chama-lhes SPHERES, ou Synchronized Position, Hold, Engage and Reorient Experiment.

Estes robôs estão a bordo da estação espacial internacional desde 2006 e ajudam os astronautas a estudar procedimentos de voo e acoplagem em gravidade zero, com previsão para que no futuro possam aventurar-se para fora da estação.

A sua origem não podia ser mais Star Wars: em 1990, David Miller, professor no MIT, mostrou o filme de 1977 aos alunos e disse-lhes muito especificamente: “quero que me construam daquelas coisas”.

E pois bem, fizeram-no: as SPHERES possuem o seu próprio sistema se sensores, navegação e propulsão a CO2.

spheres-credito-nasa

Claro que o sabre de luz era mais a cena de Luke. Leia, essa, prefere um tiroteio à moda antiga com uma pistola laser. Claro que um laser não é realmente visível, por viajar à velocidade da luz e ser necessário atingir uma superfície para a luz visível se reflectir.

Um laser é perigoso se apontado aos olhos de alguém, por exemplo, mas existem já lasers letais em funcionamento. É o caso do canhão laser a bordo do USS Ponce, e os EUA planeiam equipar os seus blindados com lasers de 18 quilowatts.

O laser é a arma ideal, graças à sua velocidade, significando que o alvo é atingido de imediato. E não estamos no reino da ficção: estes lasers já disparam e vaporizam alvos.

E talvez pudéssemos falar de muito mais. De próteses médicas a veículos levitantes, a saga Star Wars e a Princesa Leia inspiraram por então muitos dos cientistas de hoje e do amanhã.

Nem tudo foi ali inventado, mas a força da história e o lendário de algumas personagens de certeza que catapultaram ideias obscuras para o imaginário ocidental. A Princesa Leia foi fundamental neste movimento, tornando-se uma referência para milhões de jovens mulheres em todo o mundo, uma heroína verdadeira, sem ficar com o segundo lugar face aos homens da saga.

Carrie Fisher, ou a Princesa Leia, deixará saudades, tanto que jamais a conseguiremos dissociar de algumas destas tecnologias fascinantes.

Share:

Dê a sua opinião