Por carinho a Carrie Fisher: ou como as tecnologias da Princesa Leia estão connosco hoje


shadow
Share on FacebookShare on Google+Pin on PinterestShare on LinkedInShare on TumblrTweet about this on TwitterEmail this to someone

Carrie Fisher está hoje numa galáxia distante, mais uma vítima de um ano sacramental em falecimentos de famosos. Mas a Princesa Leia viverá para sempre como um dos grandes ícones de uma das mais amadas epopeias cinematográficas de sempre. E como toda a boa ficção científica, também a saga Star Wars teve o seu quê de visionário, algumas das tecnologias aí preconizadas ficando irrevogavelmente associadas à Princesa Leia.

Nenhuma será tão icónica quanto o holograma encontrado por Luke Skywalker em R2-D2, onde Leia pede ajuda a Obi-Wan Kenobi.

leia-holograma

A holografia remonta aos anos 40, mas o holograma da Princesa Leia a pedir ajuda é um tipo particular de holograma: é um holograma volumétrico, ou seja uma representação tridimensional de um objecto. A possibilidade já existe há um século, mas só agora começamos a ver os primeiros e promissores passos.

No início de 2016, um grupo de investigadores da Queen’s University revelou o HoloFlex, um telemóvel flexível que permite projectar hologramas muito básicos.

Mas a omnipresença da Princesa Leia como metáfora nos hologramas levou mesmo a HP a apoiar o projecto LEIA, que deu origem à LEIA Inc., uma start-up no campo da criação de hologramas estereoscópicos.

leia-display

E depois temos, obviamente, o próprio R2-D2. Robôs autónomos não são totalmente novos, e desde o início do cinema que se tornaram uma marca do sci-fi. Poucos serão tão icónicos quanto R2D2 e o seu periclitante companheiro C-3PO. Afinal, ambos fogem da corveta Tantive IV quando esta é capturada pelo destroyer imperial Devastator e Darth Vader, levando o agora imortal holograma consigo.

r2d2

Quando dizemos que R2-D2 é quase uma realidade, não nos referimos ao frigorífico R2-D2 que pode ser telecomandado para nos trazer a bebida. Não: o robô de Star Wars era autónomo, e para isso são necessárias inteligência artificial e aprendizagem automática.

Os algoritmos de machine learning são hoje comuns, e ajudam smartphones como o Huawei Mate 9 a melhorar o seu desempenho à medida que os utilizamos, ou ajudam-nos a decifrar linguagens animais.

Uma marca, tanto de artoo, quanto de see-threepio, era sem dúvida a capacidade para aprenderem. Mais do que programados, ambos exibiram ao longo da saga tomadas de decisão que não eram alheias a um certo medo das consequências. Ainda não chega a tanto, mas no MIT já há robôs que aprendem novos gestos sem ajuda humana, e a NASA espera mandar o Valkyrie para o espaço no futuro próximo.

PHOTO DATE: 12-12-13 LOCATION: Bldg. 32B - Valkyrie Lab SUBJECT: High quality, production photos of Valkyrie Robot for PAO PHOTOGRAPHERS: BILL STAFFORD, JAMES BLAIR, REGAN GEESEMAN

Há mesmo algo de R2-D2 em Zowi, da BQ, um pequeno robô que pode ser programado por crianças para executar movimentos e expressões.

Por isso, não estamos assim tão longe de robôs capazes de rivalizar em função e capacidade com os companheiros de Leia, pois não?

Da Princesa Leia passamos para o seu irmão, Luke Skywalker, o aspirante a Jedi que por então ainda mal dominava o Sabre de luz de seu pai, e que Obi-Wan lhe entregara.

Um sabre de luz não é realmente algo viável, certo?

Bom, existem bastantes réplicas LED ou com cristais que simulam pelo menos o look das armas sagradas da Ordem Jedi, mas nada realmente projecta a energia ou o campo de força de um sabre de luz “verdadeiro”.

Mas e a TEC Torch?

Ao contrário dos maçaricos tradicionais, o TEC é uma espécie de espada química a jacto. Uma formulação química no seu interior inflama-se e dispara um jacto de partículas e metal vaporizado a uma estonteante temperatura superior a 2000°C, abrindo aço e metal no geral como se fosse uma lata de sardinhas.

tech-torch

A sua semelhança com um sabre de luz acaba aqui, e esteticamente é uma questão de forma que segue a função.

Se esperamos um sabre de luz realmente idêntico ao da Guerra das Estrelas, a física é a nossa pior inimiga. tal arma está actualmente muito além das nossas capacidades, mas o sonho é enorme e se for tecnologicamente possível, alguém tratará de o inventar.

E lembram-se da pequena esfera flutuante que ajudou Luke a treinar os primeiros golpes a bordo da Millennium Falcon? A NASA chama-lhes SPHERES, ou Synchronized Position, Hold, Engage and Reorient Experiment.

Estes robôs estão a bordo da estação espacial internacional desde 2006 e ajudam os astronautas a estudar procedimentos de voo e acoplagem em gravidade zero, com previsão para que no futuro possam aventurar-se para fora da estação.

A sua origem não podia ser mais Star Wars: em 1990, David Miller, professor no MIT, mostrou o filme de 1977 aos alunos e disse-lhes muito especificamente: “quero que me construam daquelas coisas”.

E pois bem, fizeram-no: as SPHERES possuem o seu próprio sistema se sensores, navegação e propulsão a CO2.

spheres-credito-nasa

Claro que o sabre de luz era mais a cena de Luke. Leia, essa, prefere um tiroteio à moda antiga com uma pistola laser. Claro que um laser não é realmente visível, por viajar à velocidade da luz e ser necessário atingir uma superfície para a luz visível se reflectir.

Um laser é perigoso se apontado aos olhos de alguém, por exemplo, mas existem já lasers letais em funcionamento. É o caso do canhão laser a bordo do USS Ponce, e os EUA planeiam equipar os seus blindados com lasers de 18 quilowatts.

O laser é a arma ideal, graças à sua velocidade, significando que o alvo é atingido de imediato. E não estamos no reino da ficção: estes lasers já disparam e vaporizam alvos.

E talvez pudéssemos falar de muito mais. De próteses médicas a veículos levitantes, a saga Star Wars e a Princesa Leia inspiraram por então muitos dos cientistas de hoje e do amanhã.

Nem tudo foi ali inventado, mas a força da história e o lendário de algumas personagens de certeza que catapultaram ideias obscuras para o imaginário ocidental. A Princesa Leia foi fundamental neste movimento, tornando-se uma referência para milhões de jovens mulheres em todo o mundo, uma heroína verdadeira, sem ficar com o segundo lugar face aos homens da saga.

Carrie Fisher, ou a Princesa Leia, deixará saudades, tanto que jamais a conseguiremos dissociar de algumas destas tecnologias fascinantes.

Autor

Marco Trigo
Marco Trigo

Fotógrafo e paixonado pela divulgação das novidades no mundo da fotografia e pela aprendizagem constante no contacto com novas tecnologias

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *